O Instituto Nacional de Pesquisa (INPE), em conjunto com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), revelou que há mais de 95% de chance de ocorrência e persistência das condições do fenômeno climático El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 e podendo se estender, pelo menos, até o início de 2027. O fenômeno ocorre devido ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Tropical e provoca impactos climáticos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
Embora não tenha influência direta, o El Niño tende a aumentar as chances de eventos extremos, como chuvas intensas e aumento nas temperaturas. Os impactos podem ser registrados em todo o país, com cada região atingida de diferentes formas.
Os impactos nas regiões do país
Na Região Sul, os impactos devem ocorrer principalmente em escala geomorfológica e hidrológica, em razão do aumento das chuvas, aumentando a exposição a cheias e impactos sobre áreas urbanas e infraestrutura. As pesquisas apontam como principais riscos os deslizamentos urbanos e naturais, as quedas de barreiras e as interrupções de rodovias.
Nas regiões Norte e Nordeste, os efeitos são diferentes e incluem a redução das chuvas e o aumento das temperaturas. Esses impactos afetam diretamente o abastecimento de água, a agricultura e a geração de energia, especialmente em áreas que dependem de reservatórios e barragens. Além disso, a combinação de altas temperaturas e baixa umidade pode agravar o risco de seca e incêndios florestais.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os alertas tendem a ser mais variáveis, indicando aumento da frequência de ondas de calor e períodos de baixa umidade. Além dos impactos climáticos, esse cenário também coloca a saúde da população em risco, com maior incidência de desidratação e problemas respiratórios, além de pressionar os sistemas urbanos e energéticos.
Nesse cenário, a gestão pública pode enfrentar desafios como a baixa integração entre dados, monitoramento e resposta, a necessidade de ampliar o planejamento preventivo e as ações de adaptação climática, além das limitações na antecipação de riscos climáticos.
A resposta a desastres climáticos começa com a prevenção
Nesse contexto, em que pesquisas alertam para os riscos, torna-se extremamente importante a tomada de decisões voltadas a ações de antecipação, como o planejamento urbano mais resiliente, a adoção de estratégias de prevenção e o fortalecimento dos sistemas de monitoramento.
O time da Codex, especializado em governança de dados e na consolidação de soluções baseadas em dados e inteligência territorial, destaca a importância da adoção de ações de mitigação de riscos e adaptação, como sistemas que integram informações dispersas em inteligência acionável, o fortalecimento institucional e transparência e a gestão de indicadores para monitoramento e planejamento.
As ações de prevenção exigem investimentos em planejamento, tecnologia e governança de dados. Por meio dos dados, é possível reduzir vulnerabilidades e desenvolver respostas que protejam não apenas o território, mas também a população.